Licença, quero contar
uma historinha engraçada
sobre a
festa de Julita
onde teve uma buchada
que quase termina em
crime
mas transformou-se em piada.
Pedro Caracu de Lima
era
um velho solteirão
que vivia reclamando
por viver na solidão
até
que achou com quem
compartilhar o colchão.
Já passava dos
sessenta
quando casou com Julita
morena, muito vistosa
melhor
dizendo, bonita
daquela que quando passa
a macharia se
agita.
Tinha ela um derrier
por demais
avantajado
dava até a impressão
que este seu predicado
era por
dormir na rede
que tinha o fundo furado.
E devido à diferença
de idade que existia
sempre, sempre
na cidade
alguém lhe advertia
sobre o perigo de chifres
ao que
ele respondia:
- "Cavalo véi, capim novo"
é um ditado perfeito
comer
filé com os amigos
sei que tiro mais proveito
que comer "péia"
sozinho
e à carne não ter direito.
Quando ela fez trinta anos
ele disse à camarada:
- Vamos
festejar a data
de forma bem animada
a gente chama os amigos
pra
comerem uma buchada.
Na data pactuada
os dois estavam postados
à entrada do
casebre
recebendo os convidados
fazendo as honras da casa
pra
todos recém-chegados.
De ver assim tanto homem
Julita não escondia
o grande
contentamento
todo mundo percebia
diante das piscadelas
aos
homens que recebia.
Parecia um cacoete
um tique-tique nervoso
impressão que
foi desfeita
quando chegou bem fogoso
Urutabão "Bate-o-Bombo"
um
mancebo donairoso.
Com 23 de idade
dois metros de envergadura
nas rodas do
"Carretel"
era constante figura
mesmo sendo bebe-quieto
fazia
muita loucura.
O piscar dos olhos dela
dos homens tirava a calma
Pedro a
tudo assistia
sem preconceito, sem trauma
aos requebros tão
dengosos
de peito, traseiro e alma.
A buchada era bem farta
e por sinal muito boa
preparada
por Nidinha
uma excelente pessoa
e também alcoviteira
das
"fugidas"da patroa.
Enquanto o povo comia
na maior "delicadeza"
Urubatão e
Julita
tocavam os pés sob a mesa
e telepaticamente
acertavam a
sobremesa.
Quando findou o almoço
e o povo se retirou
a ausência de
Julita
foi que Pedro então notou
lembrou que Urubatão
pela porta
não passou.
Então lhe veio o estalo
do que ia acontecer
correu
bufando pro quarto
deu um grito pra valer:
- Se os dois brincar,
agora
"tejam" certos, vão morrer!
Julita correu aos gritos
fazendo grande alarido
Urubatão
levantou-se
já de todo prevenido
apontando o seu revólver
para o
marido traído.
- Vou morrer de que, seu corno?
perguntou ao
camarada
Pedro disse calmamente
com a voz resignada:
- de
indigestão... buchada
é uma comida pesada.
Quando Pedro disse assim
Urubatão se acalmou
e guardando
a sua arma
altivo se retirou
Julita pediu perdão
e Pedro lhe
desculpou.
Mas aconteceu porém
que tinha alguém escondido
assistindo
a tudo isso
que havia acontecido
e lá no bar da sinuca
contou
todo o ocorrido.
Já fazia uma semana
que o fato tinha se dado
Pedro soube
que Mané
Salu tinha boatado
- "Vou tomar satisfações
com aquele
cabra-safado".
- Perguntou: - Salustiano,
quero saber... É verdade
que
você anda espalhando
por toda nossa cidade
que sou corno
convencido
ou isto foi falsidade?
- Mané estava calado
e calado ali ficou
Pedro perguntou
de novo
e Salu não respostou
Pedro disse: - Está com
medo?
Repita, então se falou!
Com grande calma, Salu
pôs o cigarro no chão
levou a mão
à cintura
puxou sua "conceição"
uma doze polegadas
e a enterrou
no balcão.
Cuspiu de lado e falou
como fosse aconselhar:
- Pedro,
você é corno
isso não pode negar
bastar deixar de ser corno
que
eu deixo de falar...
E Pedro bem cabisbaixo
saiu dali descontente
foi pros
braços de Julita
chorou copiosamente
lembrando toda vergonha
que
passou recentemente.
E Julita consolava
o desditoso marido
dizendo: - Não
chores não
ao povo não dê ouvido
eu te amo, tu me amas
é o que
importa, querido!
Eis aí caros leitores
uma história bem real
que se deu em
Itabaiana
que é cidade natal
do cronista Erasmo Souto
um narrador
sem igual.
Através de seus relatos
que achei muito
bacana
desenvolvi esta história
que mesmo sendo sacana
ela atesta
que se deu
na pacata Itabaiana.
Honório transpôs pro
verso
O que Erasmo contou
Naquele livro primeiro
Onde ele relatou
Relíquia da mocidade
Imagens duma cidade
Onde ele se criou.
FIM
TIMBAÚBA-PE,
JUL/90