Ouvindo
três passarinhos
Pousados à minha porta
Escrevo aqui o meu
verso
Que me alegra e conforta
Mesmo que o pensamento
Viaje por
linha torta.
Jah me deu o maior barato
E uma voz então me
segue
Dizendo: - poeta vá
Em frente, você consegue
Falar sobre
Bob Marley
O eterno rei do reggae.
Ouvindo o som dos seus
hits
Numa atitude bem laica
Volto os olhos pro passado
Porém sem
visão arcaica
E mergulho com prazer
Nesse mito da
Jamaica.
Seu viver foi baseado
Na rastafari cultura
Até com a
erva sagrada
Sua atitude era pura
Assim como seus cabelos
Também
era uma postura.
Seu jeito de ver a vida
Sua arte e a
militância
Era um todo indivisível
Era a sua substância
Por isso
fez-se influência
Mesmo estando noutra instância.
De Kingston
pra Jamaica
Da Jamaica para o mundo
O menino Bob foi
Um primeiro
sem segundo
Até hoje não surgiu
Outro rasta tão fecundo.
A
morte rondou-lhe à bala
Num serviço encomendado
Porém Jah lhe
protegeu
Skapou do atentado
Pra falar mais forte ainda
Em favor
do injustiçado.
Reggae, Rei, Recife, Raça
Os erres da
resistência
Revolta, revolução
Reinado da renitência
Remando por
rio acima
Re-ligando a consciência.
Rastafari, um
pensamento
Um movimento ou um guia
Um jeito de ver a vida
Sendo
assim, filosofia
Dando base às atitudes
De protesto e
rebeldia.
O reggae como canal
De fazer ouvir a voz
De toda
periferia
Que luta contra o algoz
Que se escancha no Poder
Sempre
tão mal e feroz.
Dreadlocks não se podam
Nem se poda a
liberdade
Bem maior que Jah doou
Para toda humanidade
Quando isso
for praticado
Só reina a Felicidade.
Escravagista
diáspora
Esquartejando uma raça
E levado ao Novo Mundo
O negro
com garra e graça
Fez valer os seus valores
Mesmo com tanta
ameaça.
Bob
diz: - África una-te
Está passando da hora
A África que há na
África
E as que há por mundo afora
Nos guetos e nas favelas
Onde
há fome e a dor mora.
Que exista uma só África
Brasil,
Jamaica, Benin
África no peito e na mente
Nele, em você e em
mim
Nos sons da Tribo de Jah
Dreadlocks e pixaim.
Sons que
foram se moldando
Conforme o novo ambiente
Combinações que se
nutrem
De uma forma permanente
Reggae, samba, coco, jongo,
Xote,
embolada, repente.
Baião, frevo, jazz e blues
Cacuriá,
zabelê
Maracatu, caxambu
merengue, maculelê
Forró, salsa,
carimbó
Calypso, cateretê.
Bob irmão de Malunguinho
Do Rei
Zumbi de Palmares
De Fabião das Queimadas
E de tantos
avatares
Exemplos de fortes negros
Anônimos há aos
milhares.
Marley partiu, mas deixou
Para nós grande legado
O
reggae cobriu o mundo
Entre nós é cultuado
Cava espaço, mostra
força
Pereniza o seu reinado.
Desde
Walter de Afogados
E o Valdir Afonjá
Bantus Reggae, Manga
Rosa
Massativa, Jerivá
Favela Reggae, Brasáfrica
Libertária, Flor
de Jah.
Reggai
por Nós, Canto Reggae
O Sol tá Massa, N´Zambi
Malungos, Tambor
Falante
Matoso, Tonami Dub
Malakai, Abole Gueto
É o reggae dentro
do mangue.
Outro
guerreiro é o Ívano
E a sua Rebeldia
Mais o Marcelo Santana
Vozes
da periferia
Com eles Recife rega
O reggae com ousadia.
É
pra Jah, Neblina Reggae,
Rama Seca, Kayamar
Mandala, Anama
Roots
Fazendo o povo “reggar”
E muitas e muitas outras
Que não dá
nem pra citar.
Peço
perdão a quem não
Foi citado nesta lista
Não se trata de
exclusão
Nem complô capitalista
Foram as limitações
Dos versos do
cordelista.
A
terra do frevo rende
Ao reggae sua homenagem
Salve a nossa
negritude
Nossa atitude e coragem
Salve o reggae e Bob
Marley
Salve o povo e a brodagem.
FIM