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No Galo se ve de tudo Em termos de carnaval Tem o frevo que
domina Sendo o prato principal Nesse banquete de
ritmos Que levantam nosso astral.
Tem abre-alas,
baianas Toureiros e mandarins Passistas,
porta-estandartes Tocadores de clarins Tem colombinas
faceiras Pierrôs e arlequins.
Palhaços, xeiques,
piratas Odaliscas, enfermeiras Bailarinas,
normalistas Diabos, padres e freiras Onças, anjos,
gatas, noivas Tiazinhas, feiticeiras.
Tem folião
casual Que nao vai fantasiado Usa bermuda e
camisa Um sapato já sambado Se embala com o
frevo E faz o passo rasgado.
Gente que vai pelo
frevo Pelo embalo da folia Gente a fim de se dar
bem No xumbrego da orgia Seja qual for o
motivo No Galo se extasia.
Aos que lhes falta
coragem De juntar-se r multidão Por medo, por
preconceito Por qualquer limitação Há camarotes pra
quem Puder gastar seu carvão.
Mas o bom é ir pro
meio Do povo que se atropela Quando do trio se
ouve “Voce diz que ela é bela...” A
pernambucanidade É aí que se revela.
Tem casado
que dá drible Na mulher e vai sozinho Diz que vai
fazer um bico Combina com seu vizinho Passa o dia na
muvuca Chega em casa mamadinho.
Tem também
mulher que vai Escondida do marido Veste um short,
calça o tenis E diz pra ele: - Querido Eu vou lá na
costureira Para provar um vestido.
Tem gente
cheirando lança Pra ficar numa maior Cheira loló,
cheira cola Eu nao sei o que é pior Prefiro cheirar
cangotes Molhadinhos de suor.
Lá no Galo todos
brincam Numa só cumplicidade Criança, jovem,
coroa Folião de toda idade Acompanhado ou
sozinho Quer seja ou não da cidade.
Muitos dos que
lá não vão Gostariam de poder Mas o que pode e não
vai Eu não consigo entender Só lamento que não
saiba O que está a perder.
Infelizmente
também Tem os pais desnaturados Que levam os filhos e
não Tem os devidos cuidados Não os protegem do
sol E nem dão água aos coitados.
No Galo também
tem gente Que não vai pra brincadeira Sao lanceiros
bem atentos Aos que estão de bobeira E depois que dçao
o lance Lá se foi sua carteira.
Tem quem vai com o
propósito De provocar confusão Passa a mao na bunda
alheia Dá pisada e beliscão Cantando mulher dos
outros Dando soco e empurrão.
Fazem para
aparecer Para mostrar valentia Pensando ganhar
cartaz Perante alguma guria Porém nem mesmo
conseguem Estragar nossa alegria.
Mulheres que se
aproveitam E dão corda aos donjuans Comem, bebem às
suas custas Olhando pra suas cãs E na “hora da
verdade” Desaparecem nas vans.
Tem cara que força
a barra E às minas dá bebidas No intuito de
deixá-las Fogosas, desinibidas E assim tê-las nas
malhas De suas mãos pervertidas.
Tem travesti
exibindo A forma siliconada Sobre dois palmos de
salto Levando vaia e dedada Dos gaiatos de
plantão Que não deixam passar nada.
Tem sapatões
que se vestem De soldado ou de palhaço Com cachaça na
cachola Entram logo no amasso E sem ligar para o
povo Tome beijo e tome abraço.
Tem vendedor
de comida Daquelas comeu-morreu Ganhar o mais que
puder É este o desejo seu Mesmo que fique
doente Quem seu quitute comeu.
No começo é
maravilha Mas depois de certa hora A cerveja só vem
quente O calorão estupora As brigas se
intensificam O melhor é ir embora.
Digo que as
almas sebosas Jamais serão empecilho Para que o Galo
sempre Mantenha firme este brilho E um pai possa
brincar Trazendo no braço o filho.
No bairro de
Sao José O Galo tem endereço Muitos lá se
equilibram Outros viram pelo avesso Se para uns basta
o Galo Pra muita gente é o
começo.
FIM
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