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POEMA: |
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No lugar onde eu resido Fechadura inda é tramela Não é tão evoluído Mas já se assiste novela E também telejornal Já se mistura nescau Com o puro leite de vaca Lá se come sanduíche E se diz oxente e vixe E se enfia o pé na jaca. Acabaram os cabarés O serviço hoje se faz Lá nos quartos dos motéis Que ficam na rodovia Se prestam pra putaria E pro namoro em segredo Quem não tem o “faz-me-rir” Só resta se “divertir” No matagal e lajedo. Temendo o cuspe no chão Mas celular é usado E de última geração Muitos costumes mudaram Pra melhor ou pioraram Mãe solteira hoje é normal Ninguém mais se escandaliza Com o que o povo realiza No plano sexual. Que leva o mundo até nós E tem a turma católica Tal qual a nossos avós Devota de Padim Ciço Quem não gosta muito disso É a Igreja Glacial Que não tolera romeiro Mistura fé com dinheiro E Jesus com capital. Sufocou a cristandade Mas inda tem pastoril Em uma ou outra cidade Ainda se vê reisado Ou algum presépio armado Lembro que o Menino É o motivo da festa Isso é coisa que ainda resta No natal do nordestino. Do grande Chico Pedrosa E se dança a noite inteira Com a Gatinha Manhosa Mastigo cravo e chiclete E essa tal de internet Pra mim não é novidade Que espanto não lhe cause Mas sempre vou na lanrause Quando visito a cidade. Menos no tempo de inverno Pois até trator se atola E pra passar é um inferno Já para a agricultura É uma beleza pura De verde o campo se cobre Plantio de rico se irriga Mas a seca inda castiga A roça do homem pobre. Em um cavalo montado Porém a moto é usada Também pra cuidar do gado Pro trampo botina calço Pro lazer um Naique falso Nos meus pés eu logo enfio Se agarro uma gatinha Já uso até camisinha Pois na sorte eu não confio. Com roupa que vem da China Padeiro fabrica o pão Com trigo da Argentina Interior não se isola Escuta o som da viola O verso do cordelista O forró de pé-de-bode Mas também axé, pagode E até fanque entra na lista. Com os herdeiros do rei Porém parte da moçada Só quer o som do djidjei (DJ) Lampião inda é herói Pois foi o nosso caubói Embora rei dos bandidos Hoje herói tem de montão Nesses filmes do Japão Ou dos Estados Unidos. Do jeito que vêm se vão E duvido alguém dar vaia Pras músicas de Gonzagão Pode até não se gostar Mas se sabe respeitar Reconhecer o valor Que venham Jamil, Chiclete A Cláudia Leite, a Ivete Venha lá seja quem for. Vindo virada no créu Mostrando a lapa da jia Não derruba Maciel Nem Petrúcio, nem Santana E pá de gente bacana Do forró de pé-de-serra Que vá praquele lugar A calcinha, o caviar Que o forró vence essa guerra. FIM |
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