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POEMA:
LEDA, A MULHER QUE AFOGOU O GANSO

 

Este fato aqui contado
faz tempo que aconteceu
no sertão pernambucano
na Fazenda São Lineu
Intitulado de História
de Leda e de Eliseu.

Eliseu, o filho único
de Manoel José Furtado
o seu pai, homem de fibra
o filho, um cabra safado
Que na arte de aprontar
pra ninguém foi derrotado.

Estudou na capital
mas não quis seguir carreira
a não ser em vaquejada
ou atrás de bebedeira
era mesmo um filho pródigo
Sempre aprontando besteira.

Em jogo, farra, em orgia
sempre estava ele metido
batendo papo nas ruas
com gente ruim e bandido
mesmo assim por seu carisma
era por todos querido.

No "livro da capa preta"
costumava ele estudar
aprendendo o esoterismo
pra quando preciso usar
graças a São Cipriano
aprendeu a se "invultar".

Ao retornar r fazenda
logo no primeiro dia
percebeu ter carne nova
que ele nao conhecia
e ficou logo influído
pensando no que faria.

Esse alguém que ele viu
e que logo o cativava
era Leda Massangana
que há pouco ali chegava
por ter casado com Lucas
que nas terras trabalhava.

Uma negra muito bela
que já nasceu premiada
ancas, pernas, corpo inteiro
a faziam desejada
por todos que a olhassem
mesmo sendo ela casada.

Se muitos se contentavam
só com a admiração
Eliseu, doido que era
nao se furtou r paixão
e sem o menor receio
quis entrar logo em ação.

Mas Lucas era zeloso
de honra e bem ciumento
sua razão era a faca
também era truculento
e aos passos de sua esposa
ele estava sempre atento.

Por isso Eliseu nao tinha
brecha para se aproximar
da Leda como queria
por isso teve que achar
uma maneira ardilosa
de dela perto chegar.

Descobriu que vigilância
de Lucas se relaxava
era na hora que Leda
lá no açude ficava
para a lavagem da roupa
que na semana juntava.

Um dia, lavando roupa
nossa Leda percebeu
um ganso por lá zanzando
o que nunca aconteceu
e aos poucos se aproximando
parecendo que era seu.

Ganso que é arredio
neste caso foi bem manso
chegando pertinho dela
sem temer qualquer avanço
e Leda sentiu carinho
por seu novo amigo ganso.

O ganso todo amistoso
deixou até ser tocado
quando isso aconteceu
demonstrou haver gostado
batendo as asas feliz
nadando de lado a lado.

E deste dia em diante
sempre que Leda lá ia
nao demorava nadica
que o ganso aparecia
levando â lida de Leda
o bom toque de alegria.

E na mansidão das águas
a dupla se divertia
o ganso roçando em Leda
sua penugem macia
o tempo passava logo
que ela nem pressentia.

Certo dia lá chegando
o ganso logo avistou
ele eriçou suas penas
tão logo n´água ela entrou
também abanou as asas
espalhando água e grasnou.

Após ouvir o grasnado
uma voz a Leda ouviu
sem saber de onde vinha
sentiu ela um arrepio
mas por incrível que seja
o medo logo sumiu.

A estranha voz falou:
- Leda, Leda,  nao se espante
sou eu o ganso que fala
escute a mim um instante
acho que já está na hora
de eu ser o seu amante.

Desde quando te avistei
que fiquei apaixonado
mas sendo você casada
com marido tão danado
para de ti chegar perto
restou-me vir disfarçado.

Nao me peça explicação
a paixão por si se explica
gosto muito de você
e pelo que tudo indica
por voce eu sou querido
por isso se justifica.

Se justifica a entrega
sem suspense de novela
- disse isso se chegando
para bem pertinho dela
lhe alisando com o pescoço
fazendo carinho nela.

E por mais que seja estranha
esta cena inusitada
a Leda foi envolvida
qual fosse hipnotizada
não esboçou reação
se mostrou arrebatada.

E por debaixo das águas
a consumação se deu
a Leda foi ao delírio
até de prazer tremeu
sem saber que o tal ganso
na verdade era Eliseu.

Ficou tao extasiada
que ao ganso não deu descanso
pegou no pescoço dele
e num bizarro balanço
enfiou pra dentro d´água
e assim afogou o ganso.

O ato do ganso e Leda
podia ser comparado
ao caso da Cicarelli
com aquele namorado
quando na praia espanhola
este casal foi filmado.

O que aconteceu depois

Diz a turma da fofoca

Eliseu se encantou

E a Leda ficou choca

Abandonou o marido

E foi pra Casa de Noca.

 

Se o fim foi mesmo esse

Ninguém sabe, ninguém viu

E eu não vou inventar

Pois nao sou poeta vil

Quem quiser que imagine

Com sua mente fertil.

 

Imaginar é viagem

Que qualquer um de nós faz

Mas normalmente os artistas

É que viajam demais

No mundo das fantasias

Dos labirintos mentais.

 

Pois então finda o relato

Mesmo sem um gran finale

Quem souber como acabou

Que escreva ou então nos fale

O fim real desta história
Mas olhe: mentir não vale!

Fim

Escrito na manha de 30-09-06 (Recife) e ampliado em julho/08

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