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POEMA:
 A DISCUSSÃO DE MANOEL BARRACA COM ZÉ PRUDENTE SOBRE A LEI SECA

 

Dia desses numa mesa
Começou forte debate
A respeito da Lei Seca
Quase que vira um combate
Leitor diga quem ganhou
Ou se acabou num empate.

Antônio Barraca
Assim entendia
Que não mais podia
Entrar na truaca
Nem mesmo ressaca
Tinha esse poder
Faze-lo temer
Encher-se de pinga
Por isso ele xinga
Não quer entender.

Respondeu-lhe Zé Prudente
Um outro bom de birita:
Pois faço parte da turma
Que bebe mas acredita
Que muitos dos acidentes
É devido essa bendita.

Manoel que acorda
De copo na mão
É fã de alcatrão
Do amigo discorda:
- Um guarda aborda
Alguém boa praça
E manda que faça
O sujeito soprar
Se álcool acusar
Deu-se a desgraça.

Quem quiser encher a cara
Tem a total liberdade
Beber seu vinho ou seu chope
Pode faze-lo â vontade
Só não pode é dirigir
Na estrada e na cidade.

Eu vou pro sambão
Entao pro forró
E lá chego só
Tomo no balcão
Cana com limão
E fico audaz
A gata me faz
Sinal que me quer
Sair com a mulher
Não vou poder mais.

Se sair pra paquerar
Entao saia prevenido
Primeiro, o preservativo
Não pode ser esquecido
E o dinheiro do táxi
Deixe num bolso escondido.

Do táxi a grana
Que eu gastaria
Por certo eu podia
Gastá-la com cana
Não sou “um bacana”
Não tenho choffeur
Exceto a mulher
Mas essa eu bem sei
É pior que a lei
Mandar em mim quer.

Beba então perto de casa
Bar tem quase em toda rua
Não se exponha ao perigo
E nem a família sua
Farra certa hora acaba
Mas a vida continua.

Se eu esquecer
Que estou com o carro
Na rua eu esbarro
Com quem quero ver
E vamos beber
Pra comemorar
Se chope num bar
Tomar um somente
Encontro na frente
Um guarda a multar.

Porque não comemorar
Com suco, refrigerante
Ou com água mineral
Momento tão importante
Assim não terá problema
Para pegar no volante.

Assim não convém
Beber só um dedo
Da farra o segredo
Está no porém
Do sangue que vem
Trazendo o efeito
Anima o sujeito
Lhe dá alegria
A lei deveria
Bem ser de outro jeito.

A lei está protegendo
A nossa população
Quem bebe perde o reflexo
E a coordenação
Isto é fato incontestável
É por isso a precaução.

Quem tem uma amante
Ou gosta de esquema
Não tinha problema
Farrando distante
De agora em diante
Não mais se assossega
Se fora chumbrega
E bebe um pouquinho
Se lasca todinho
A blitz lhe pega.

Que tal curtir com a esposa
Com a família passear
Se acaso tomar uma
De forma alguma guiar
Deixa a mulher ou o filho
Dirigir no seu lugar.

Os donos dos bares
Botecos e vendas
Geravam as rendas
Giravam milhares
Com pingas, camparis
Com Teacher e Pitu
Agora estão no
Vermelho que eu sei
Por causa da lei
Amargam preju.

Lucravam com a bebida
Também muitos hospitais
Mais as casas funerárias
e vários profissionais
para tratar das seqüelas
dos sinistros não mortais.

Pego baseado
Injeto heroína
Uso cocaína
Só vivo ligado
Se eu for parado
Estou limpo na lei
Porém se tomei
Gelada cerveja
Um copo que seja
No boga tomei.

Mesmo nao sendo a melhor
Esta lei é coerente
Volante e álcool nao casam
Quem os junta é imprudente
E tem tirado alegria
E a vida de muita gente.

Bebida ingerir
Pra abrir apetite
Recusa o convite
Quem vai dirigir
Melhor não cair
Em tal tentação
Escute a razão
A regra é bem rija
Bebeu, nao dirija
Sem apelação.

Se o debate teve fim
Não se sabe bem ao certo
Mas quem ler esse folheto
E sendo um leitor esperto
Sabe se ainda é preciso
O debate estar aberto.

Agosto/2008

 

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