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MESTRES E AMIGOS
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MARÇO/2009 - PATATIVA DO ASSARÉ
Embora a poesia popular tenha entrado na minha vida ainda nos meus tempos de menio, só no início dos anos oitenta do século passado é que me propus a mergulhar nesse universo, lendo e aprendendo mais sobre a sua história, suas características e, principalmente, seus poetas, do passado e do presente. Um deles, Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré teve importância capital na minha dedicação aos versos, pois foi à partir da leitura do seu livro Cante Lá que Eu Canto Cá, que eu passei com mais afinco a rabiscar os versos seguindo as estruturas tradicionais e buscando as coisas do cotidiano como tema e assunto. "Poeta cantor de rua E foi seguindo o conselho do mestre que direcionei minha lira preferencialmente para ao universo urbano, que é a minha praia, onde nasci, cresci e construi minha consciência de mundo, embora as referências do meio rural e dos tempos idos também sejam material farto para a minha poesia. Se vivo estivesse, Patativa teria completado 100 anos neste mês de março. Muitas e merecidas homenagens lhe foram prestadas e ainda serão ao longo deste ano. Que sempre seja lembrado e sua poesia conhecida pelas novas gerações. José Honório. -------------------------------- AGOSTO/2008 - BASTO
SILVA
O primeiro impulso que tive ao conceber esta seção foi de
inaugurá-la comentando sobre o grande poeta Leandro Gomes de Barros, maior referência do cordel em
todos os tempos. Acontece que pretendo dedicar este espaço mais
às figuras (do presente e do passado) que estão
intimamente ligadas à minha vivência com o
mundo da poesia popular do que obrigatoriamente comentar sobre os
nomes já canonizados. Outros poetas foram vindo à lembrança: Athayde,
Zé Pacheco, Severino Borges, Manoel Camilo, Basto Silva.
Ops! Basto Silva? É esse! Mas quem foi
Basto Silva? A única resposta concreta que posso
dar até o momento é que Basto Silva é o autor de "A Herança da minha avó"
(título da capa) ou "A Herança da Finada Minha Avó" (titulo que consta do
miolo), um dos cordéis que eu mais li na infância e que pertencia ao
meu avô José Hemetério (ou Seu Dionísio, como alguns o
chamavam). Até agora não encontrei nenhum dado
biográfico a respeito deste poeta. Pelas informações contidas
no folheto que ainda tenho em meu poder, trata-se de um cordel
publicado por João Martins de Athayde no ano de 1941, outro que merecia
abrir esta seção, pois apesar da controvérsia de suas práticas como
editor, foi um grande poeta e empreendedor do cordel. Voltando ao meu homenageado, como
nada sei sobre sua vida, resta-me comentar sobre sua obra, que para mim
se resume ao folheto supra citado, único título a ele creditado do
meu conhecimento. Quando menino li várias vezes esse cordel que relata um
tema muito explorado que é o da decepção de um desditado herdeiro ao
descobrir que o patrimônio a ele deixado não passa de quinquilharias. O
que mais me encantava nessa história era o relato das características
do cavalo pragatão, um verdadeiro compêndio das patologias equinas, só
razoavelmente compreendidas por mim graças aos esclarecimentos do meu
vô. Matando a cobra e mostrando o pau,
transcrevo alguns estrofes (do jeito que
está escrito) deste inesquécível cordel que guardo com todo
carinho: Leitores eu vou contar Eu herdei da minha avó, |
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