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POEMA:
PELEJA VIRTUAL ENTRE AMÉRICO GOMES (PB) E JOSÉ HONÓRIO(PE)

 
AMÉRICO 
Honório meu camarada
Se lhe for de bom agrado
Quero lhe desafiar
Para cantar lado a lado
Disputando uma peleja
Com o meu verbo afiado
Pelo correio eletrônico
Vou lhe deixar estirado. 
HONÓRIO 
É preciso ter cuidado
para não perder de feio
na peleja virtual
mostre bem para que veio
ou então eu lhe derroto
no meu próximo e-mail. 
AMÉRICO
Isso aqui é só um trail
O filme nem começou
Pois o melhor repentista
Que comigo pelejou
Perdeu e ficou banguelo
E nunca mais levantou. 
HONÓRIO 
Até hoje quem me enfrentou
Comigo não teve vez
Ou ficou com amnésia
Ou perdeu a lucidez
Se aposentou do repente
Mas foi por invalidez. 
AMÉRICO 
Comigo tu não tem vez
Apanha e fica enfadado
Rimando verso fajuto
Vai apanhar um bocado
Vai levar nome de leso
De doente e pé quebrado. 
HONÓRIO 
Sei que tu és preparado
Isso eu não posso negar
O teu feito mais recente
Faço questão de lembrar:
Á Carla Peres do Tchan
Ensinaste a rebolar. 
AMÉRICO
E tu no jogo de azar
Perdeste tua minhoca
E como estava com fome
Na casa de Zefa Joca
Comeste teus culumin
Na forma de uma paçoca. 
HONÓRIO 
Eu não gosto de fofoca
mas digo com muita fé
Você junto a uma fêmea
É frio como picolé
Porém se for com um homem
Só anda de marcha ré. 
AMÉRICO 
Em você não boto fé
O meu negócio é priquito
Mas acho que o camarada
É ruim de verso e de grito
Se não estou enganado
Está vazando no pito. 
HONÓRIO 
No repente sou perito
E no resto sou seguro
Quanto a você não garanto
Que seu fogo de monturo
Não queime de outro jeito
Na frente dum talo duro. 
AMÉRICO 
Pensei que fosse mais puro
Seu jeito de pelejar
Mas só joga safadeza
Perdeu o dom de rimar
Deve morar num bordel
É rufião sem trepar. 
HONÓRIO 
Martelo agalopado vou mandar
Para ver se aqui a coisa esquenta
Com um soco quebro o seu pau-da-venta
E desloco seu queixo do lugar
E depois de espancá-lo sem penar
Dou-lhe banho de álcool com sal grosso
Em seguida arrocharei seu pescoço
Que você bota a língua para fora
Dou-lhe um tapa no ouvido e mando embora
Para você deixar desse alvoroço. 
AMÉRICO 
Não me venha com verso tão insosso
Um jumento só sabe relinchar
Urubu não consegue mais trinar
Está doido porque topou um osso
Bobeando lhe jogo nesse fosso
O buraco comum do iletrado
Porque és um poeta abestalhado
És mais lento do que mandarová
Teu poema é rabo de preá
Que nasceu porém nunca foi notado. 
HONÓRIO 
Eu nasci para ser condecorado
Como rei do repente cibernético
Não será um poeta tão patético
Que irá usurpar o meu reinado
Pode vir com seu verso viciado
Inexpressivo, chinfrim, tão sem graça
Que diante dos meus ele não passa
Porque sou imbatível no repente
E se for um pouquinho inteligente
Recue pra não cair numa desgraça. 
AMÉRICO
Sei que tu nunca foste boa praça
Mas não pode por nada ameaçar
Eu nasci pro repente e prá cantar
E você eu esmago como a traça
Sou a pedra perfeita sem a jaça
Que transborda em teu verso bem malsão
Tenho a força e o cabelo de Sansão
Vou jogá-lo no lodo do açude
Costura sua boca de serpente
Com os pregos de ferro do ataúde. 
HONÓRIO 
Traz meu verso o vigor da juventude
A brancura inconteste dos marfins
A fragrância campestre dos jasmins
A as notas melódicas do alaúde
E por mais que você pesquise, estude
Nos volumes de mil enciclopédias
Acumulando saber além das médias
E julgar-se disposto a me vencer
Saiba então que irá, pois, padecer
A maior tragédia entre as tragédias.
AMÉRICO 
O teu verso tem riso das comédias
De Renato Aragão e de Mussum
Vou bater de panela em teu bumbum
Pois aqui eu rebaixo tuas médias
Deste verso eu tenho agora as rédeas
E não vou entregar a um bisonho
Que parece com Zeca de Totonho
Um poeta que canta no Tipi
Vou dizer uma coisa escuta aqui
Me vencer nunca passará de sonho. 
HONÓRIO 
Neste instante no seu lugar  me ponho
Compartilhando sua infernal tormenta
(Essa crise existencial tão violenta)
Que o deixa cabisbaixo e bem tristonho
Pois o resto de apreço que disponho
Por quem ousar invadir minha seara
Dar-lhe-ei, porque eu fui com a sua cara
E já vi que não traz nenhum perigo
Saiba pois que achou um grande amigo
Nesta peleja tão bela e tão rara. 
AMÉRICO
Apagando de vez esta coivara
Sobre as cinzas jogando a água benta
Prá que nunca tenhamos mais tormenta
Nosso verso descansa mas não pára
Não andemos que nem a capivara
Que na vida só fita a terra fria
Abracemos com ardor o dia a dia
E sejamos irmãos na caminhada
Teu repente será uma balada
Minha rima um hino de alegria.
FIM
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